Jorge Rey Colaço (1868-1942)

Jorge Rey Colaço foi pintor, ceramista e intelectual português. Deixou um vasto legado artístico. Foram inventariados cerca de 1.000 painéis de azulejos em 116 locais diferentes no mundo.

O Museu Nacional do Azulejo, situado em Lisboa, nas instalações do antigo convento da Madre de Deus (fundado em 1509 pela Rainha D. Leonor), apresenta uma exposição peculiar, designada “Jorge Colaço e a Azulejaria Figurativa do seu Tempo”, que vai estar disponível até 28 de junho de 2020. O Museu informa que a exposição integra as comemorações dos 150 anos do nascimento de Jorge Rey Colaço, iniciadas no Museu de Cerâmica de Sacavém em 2018.

Jorge Rey Colaço, que assinava apenas Jorge Colaço, nasceu em Marrocos onde seu pai era cônsul de Portugal, e trabalhou em várias zonas do país. A cidade do Porto é depositária talvez da maior parte das suas obras figurativas mais conhecidas e mais admiradas: o átrio da Estação de São Bento, com cenas de interpretação da História de Portugal e muitas cenas de raiz etnográfica, que foram elaborados por ele e produzidos na Fábrica de Sacavém; a fachada da Igreja dos Congregados; a fachada e painéis laterais da Igreja de Santo Ildefonso, recordando essa figura histórica da Igreja de Espanha, tendo fundado a cidade de Toledo, no tempo dos Visigodos (séc. VII).

Um conjunto menos conhecido, mas particularmente muito interessante é o que reveste o interior da Capela de Fradelos, representando cenas da vida da Santa Teresa do Menino Jesus (1873-1897) no convento de Lisieux, na França, todos com assinatura de Jorge Colaço.

Há ainda, painéis seus, em várias estações de trem, em que são representadas as atividades agrícolas e sociais (a colheita da uva, trabalhos agrícolas, festas e procissões) próprias de cada região.

No Brasil também temos lindas obras de Jorge Colaço. São elas:

  • Residências particulares de Teresópolis, Magé, São Paulo e Rio de Janeiro.
  • Entrada Social do Estádio de São Januário, no Rio de Janeiro, estádio do Vasco da Gama.
  • Liceu Literário Português, no Rio de Janeiro onde lindos painéis no hall de entrada contam a história da formação de Portugal representa o rei D. Afonso Henriques e o Milagre de Ourique, e o outro representa o Infante D. Henrique. Também há representações de navegantes e guerreiros medievais mouros e portugueses.
  • Mirante Granja Guarani, em Teresópolis, estado do Rio de Janeiro pintados em Lisboa. Figuras em tons de azul e amarelo, somados ao branco, narram quatro lendas indígenas: “O Dilúvio”, “O Anhangá”, “A moça que saiu pra procurar marido” e “Como apareceu a noite”.
  • Fonte Judith é uma fonte de água natural localizada no bairro do Alto, em Teresópolis, interior do Rio de Janeiro. Construída em 1920, seu nome tem origem em Judith, filha de Luiz de Oliveira, antigo proprietário das terras, que teria sido curada de uma grave enfermidade através das propriedades medicinais da água da fonte. Anos depois, Luiz vendeu as terras para Arnaldo Guinle, que remodelou totalmente o local em julho de 1967, onde ganhou a forma atual: uma obra arquitetônica em estilo colonial, revestida com azulejos portugueses de Jorge Colaço, onde tem cinco saídas d’água em forma de faunos. Em sua fachada se destacam duas trovas em homenagem ao monumento: uma é de autoria do trovador Manoel de Araújo Peres, outra da trovadora Ilda Correia Leite.

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