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Fotógrafos do Rio de Janeiro

Quem foram os brasileiros e estrangeiros que fotografaram o Rio de Janeiro do final do séc. XIX e início do séc. XX ?

A evolução da câmera fotográfica.

AUGUSTO STAHL (Bergamo, 23 de maio de 1828 – Alsácia, 30 de outubro de 1877)

É considerado o mais talentoso fotógrafo a exercer sua arte entre nós. Viveu treze anos no Brasil (aprox. 1855-1868), exerceu seu oficio nas cidades do Recife e do Rio de Janeiro. Era Alsaciano. Provavelmente influenciou Marc Ferrez, pois após a morte de Stahl, provavelmente recebeu seus negativos, chegando a publicar alguns com seu nome. Seu nome completo era Theóphile Auguste Stahl, também conhecido como Augusto Stahl, foi um fotógrafo teuto-brasileiro com atuação no Brasil durante o século XIX.  Nascido em Bergamo, na Itália, filho de um pastor luterano, desembarcou em Recife no dia 31 de Dezembro de 1853, a bordo do navio Thames, da Mala Real Inglesa. Atuou em Pernambuco até 1861, transferindo-se para o Rio de Janeiro e recebendo do imperador D. Pedro II o título de Photographo da Casa Imperial, em 21 de Abril de 1862; além dele, Germano Wahnschaffe e Revert Henrique Klumb também receberam esse título. Fotógrafo paisagista, Stahl demonstrou interesse pela natureza tropical. Também documentou a construção da segunda estrada de ferro brasileira e a visita de Dom Pedro II ao Recife, em 1858. Participou de várias exposições fotográficas na década de 1860. É conhecido também por ter retratado o cotidiano do negro escravo.

VICTOR FROND (Montfaucon, França 1821 – Varredes, França 1881).

Fotógrafo de nacionalidade francesa, Jean-Victor Frond possuiu estúdio no Rio de Janeiro entre 1858 e 1862. Foi o primeiro fotógrafo aqui instalado a conceber um projeto de longo prazo, destinado a documentar a terra brasileira até a mais remota província. Não conseguiu realizar completamente seu intento, mas tornou-se em 1859, o autor do primeiro livro de fotografia realizado na América Latina, Brésil Pittoresque (Brasil Pitoresco), com texto de Charles Ribeyrolles. Nesta obra, apresenta pela primeira vez um registro fotográfico do trabalho escravo e da vida rural no país e define os paradigmas da fotografia de paisagem no Rio de Janeiro, popularizando temas como o Pão de Açúcar, os Arcos da Carioca e o Outeiro da Glória.

GEORGE LEUZINGER (Cantão de Garis, 1813 – Rio de Janeiro, 1892)

Também conhecido como Georges Leuzinger, foi um fotógrafo e impressor suíço que realizou uma série de fotografias paisagísticas do Rio de Janeiro, especialmente das regiões serranas.O suíço George Leuzinger contava apenas 19 anos de idade quando aportou no Rio de Janeiro, em 1832. Deve ter vindo para o Brasil provavelmente atendendo ao chamado do tio Jean Jacques Leuzinger, proprietário de uma casa de comissões e exportações. Foi neste estabelecimento que o jovem Leuzinger iniciou sua longa carreira comercial na capital do Império. Em 1840 adquiriu a papelaria e oficina de encadernação do também suíço Jean Charles Bouvier. Alguns anos depois ampliou as atividades da casa montando uma oficina de estamparia e gravura. Nos anos de 1850 já contava também com uma tipografia e litografia. Já se havia notabilizado no ramo das artes gráficas quando se interessou pela fotografia. O estabelecimento de Leuzinger publicou obras editorias importantes, como o Catálogo da Exposição de História do Brasil, considerada por José Honório Rodrigues “o maior monumento bibliográfico da história do Brasil até hoje erguido.” Foi o fundador da Casa Leuzinger e sua filha foi casada com o engenheiro e fotógrafo Franz Keller-Leuzinger.

FRANZ KELLER (Mannheim, 1835 – Munique, 1890)

Franz Keller-Leuzinger foi um desenhista, pintor, engenheiro e fotógrafo alemão. Chegou ao Brasil para trabalhar como engenheiro na estrada de ferro Madeira-Mamoré em 1856. Franz casou com a filha de Georg Leuzinger (fotógrafo, livreiro e editor residente no Rio de Janeiro), tornando-se diretor da Casa Leuzinger. Na década de 1860 realizou expedição ao Alto Amazonas em companhia de August Frisch registrando, em imagem fotográficas e desenhos, aspectos da história, da arqueologia e dos costumes locais.

MARC FERREZ (Rio de Janeiro, 7 de dezembro de 1843- Rio de Janeiro, 12 de janeiro de 1923)

Foi um fotógrafo brasileiro, descendente de família francesa. Atuou durante o Império e as primeiras décadas da República, mais precisamente entre os anos 1860 e 1922, tendo construído um dos mais importantes legados visuais sobre o Brasil nesse período. Suas obras retratam diversos aspectos da vida brasileira, com ênfase nos processos de modernização urbana e da infraestrutura, que aconteceram no país entre as décadas de 1870 e 1920. Embora tenha fotografado paisagens urbanas e rurais por quase todo o país, Ferrez tornou-se célebre pelos panoramas e vistas da cidade do Rio de Janeiro. Suas fotos da então capital do país retratam, entre outros, locais como a Ilha das Cobras, a Floresta da Tijuca, o Corcovado, a praia de Botafogo e o Jardim Botânico .

REVERT KLUMB – o fotógrafo da família imperial (Alemanha, anos 1830 — s.l. ca. 1886)

Revert Henrique Klumb foi um renomado fotógrafo teuto-brasileiro que atuou no Brasil oitocentista.  Próximo da família imperial foi chamado para documentar suas residências e deixou preciosas imagens dos interiores dos palácios e do dia a dia das filhas do imperador. Provável introdutor da fotografia estereoscópica no país, Klumb obteve o título de Photographo da Casa Imperial no Rio de Janeiro; além dele, Germano Wahnschaffe e Augusto Stahl também receberam esse título. Foi autor do livro de fotografias Doze Horas em Diligência. Guia do Viajante de Petrópolis a Juiz de Fora, o que tornou-o um dos pioneiros da edição de livros de fotografia no Brasil. A partir de 1866, torna-se instrutor de fotografia de D. Isabel do Brasil, em Petrópolis.

JUAN GUTIERREZ (1859 – 1897)

Juan Gutierrez de Padilla foi um fotógrafo espanhol, nascido nas Antilhas. Estabeleceu-se no Rio de Janeiro por volta de 1880, como proprietário da loja Photographia União, na Rua da Carioca. Tornou-se fotógrafo da Casa Imperial em 1889, último ano do Império do Brasil. Em 1893, foi contratado pelo Exército para documentar a preparação das tropas que enfrentariam os revoltos durante a Revolta da Armada. A série de fotos sobre o tema é considerada a sua principal contribuição para a fotografia no Brasil. Entretanto, foi também paisagista, tendo fotografado várias cenas do Rio Antigo. Era amigo dos boêmios e frequentador das casas noturnas da cidade. Alistou-se como voluntário para combater na Guerra de Canudos, tendo morrido em combate em 1897.

MILITÃO DE AZEVEDO (Rio de Janeiro, 1837 — São Paulo, 1905)

Militão Augusto de Azevedo  é considerado um dos mais importantes fotógrafos brasileiros da segunda metade do século XIX. Desenvolveu paralelamente as carreiras de ator e fotógrafo, atuando na Companhia Joaquim Heleodoro (de 1858 a 1860) e na Companhia Dramática Nacional (de 1860 a 1862), com quem se mudou para São Paulo aos 25 anos de idade. Ainda na década de 1850 trava conhecimento com os proprietários do ateliê Carneiro & Gaspar, para o qual passa a trabalhar como retratista. A experiência de Militão no teatro exerceu uma influência importante em seu estilo de fotografar. Enquanto outros fotógrafos da época dedicavam-se primordialmente ao maior mercado da época, o de retratos, nota-se que ele levou a efeito uma liberdade artística e criativa bastante exclusiva ao escolher a paisagem urbana como alvo de seus registros. Cria o estúdio Photographia Americana em 1875, onde, além de figuras ilustres como Castro Alves, Joaquim Nabuco, Dom Pedro II e a Imperatriz Teresa Cristina, recebe uma clientela mais popular do que a dos demais estúdios instalados em São Paulo. Inclusive o preço cobrado pelas fotos era um dos mais baratos da cidade: cinco mil réis, o equivalente ao preço de cinco passagens para a Penha. A localização do ateliê, em frente à Igreja do Rosário, frequentada principalmente pela população negra, provavelmente explica a grande quantidade de negros fotografados, bem como a maneira em que estes aparecem nas fotos, não como escravos, mas como cidadãos comuns. Muitos outros registros mostram também coristas e artistas de teatro. Apesar da popularidade cada vez maior do mercado fotográfico, em 1884, enfrentando sérios problemas comerciais, Militão decide colocar o Photographia Americana à venda, o que leva a efeito em 1885, leiloando seus móveis e equipamentos e viajando para a Europa. Provavelmente influenciado pela febre dos álbuns mostrando as cidades europeias, tem a ideia de produzir um álbum focado nas mudanças da vista urbana da cidade de São Paulo. Em 1887, Militão divulga o “Álbum Comparativo de Vistas da Cidade de São Paulo (1862-1887)”, definindo um modelo para o estilo de fotografia paisagística urbana com enfoque na comparação entre épocas distintas. Realizou outros álbuns da mesma espécie, destacando-se entre eles “Vistas da Cidade de São Paulo” (1863), “Álbum de vistas da Cidade de Santos” (1864-65) “Álbum de vistas da Estrada de Ferro Santos Jundiaí” (1868) e “Álbum Comparativo de Vistas da Cidade de São Paulo (1862-1887)” (1887). Em 1996 a coleção de mais de 12.000 fotos produzidas por Militão de Azevedo é adquirida pela Fundação Roberto Marinho e doada ao Museu Paulista da Universidade de São Paulo. Nascido em 18 de junho de 1837, no Rio de Janeiro, Militão Augusto de Azevedo iniciou sua carreira como ator de teatro – participando de espetáculos em grupos como a Companhia Joaquim Heliodoro, em 1858, e a Companhia Dramática Nacional, em 1860. Com este último grupo, viajou para a cidade de São Paulo em 1862, onde a partir de então passou a residir e iniciou sua carreira como fotógrafo.Em 1862, Militão começa a adquirir conhecimentos de retratista com os proprietários do ateliê Carneiro & Gaspar. A partir de então, começa a construir um estilo próprio de fotografar: enquanto muitos se dedicavam ao mercado da época, o de retratos, Militão criou uma liberdade artística e criativa exclusiva ao escolher as paisagens urbanas para serem registradas. Quando chegou em São Paulo em 1862, Militão não encontrou um “pequeno e introspectivo núcleo acaipirado imerso na mesmice entorpecedora”. A capital tinha uma atmosfera provinciana, mas era agitada, cheia de energia e de atividades voltadas para as realizações materiais. Foi nesse contexto que Militão começou seu trabalho com fotografias, documentando a população e seus cotidianos. Em 1875, ano em que Militão já era sócio do ateliê Carneiro & Gaspar, o fotógrafo adquire o local e troca seu nome para Photographia Americana. Em seus 20 anos de atuação, o estúdio recebeu tanto figuras famosas, como uma clientela mais popular. O preço cobrado pelas fotos, inclusive, era um dos mais baratos da cidade:cinco mil réis. O ateliê ficava localizado em frente à Igreja do Rosário, frequentada principalmente pela população negra – esse fato explica a grande quantidade de negros fotografados e a maneira como estes aparecem nas fotos, não como escravos, mas como cidadãos comuns.Alguns exemplos de clientes famosos que passaram pelo Photographia Americana são: o imperador Dom Pedro II, a imperatriz Tereza Cristina, o jurista e político Ruy Barbosa, o poeta Castro Alves, os abolicionistas Luís Gama e Joaquim Nabuco, Antônio de Lacerda Franco, José Maria Lisboa, Eduardo da Silva Prado, frei Germano de Annecy e Rodolfo Amoedo.Apesar da popularidade cada vez maior do mercado fotográfico, em 1884, ao enfrentar problemas comerciais, Militão decide colocar o Photographia Americana à venda, o que leva a efeito em 1885, ao leilão de seus móveis e equipamentos e à sua viagem para a Europa. Apesar de se desfazer de todo o laboratório do Photographia Americana e leiloar máquinas, materiais e apetrechos fotográficos, Militão manteve a documentação textual e iconográfica, que acabou chegando à contemporaneidade porque foi mantida pela família de seu filho mais velho, Luiz Gonzaga de Azevedo – com quem o fotógrafo manteve laços estreitos até seu falecimento.Provavelmente influenciado pela febre dos álbuns mostrando as cidades europeias, tem a ideia de produzir um álbum focado nas mudanças da vista urbana da cidade de São Paulo. É então que surge em 1887, o “Álbum Comparativo de Vistas da Cidade de São Paulo (1862-1887)”. No mesmo estilo, o fotógrafo preparou outros álbuns com enfoque na paisagem urbana e na comparação entre diferentes épocas e suas mudanças, com destaque para: “Vistas da Cidade de São Paulo” (1863), “Álbum de vistas da Cidade de Santos” (1864-65) “Álbum de vistas da Estrada de Ferro Santos Jundiaí” (1868) e, seu projeto mais conhecido, o “Álbum Comparativo de Vistas da Cidade de São Paulo (1862-1887)”. Militão faleceu em 24 de maio de 1905, em São Paulo.

ALBERT FRISCH (1840-c.1905) foi um fotógrafo alemão, notório por sua série de fotos raras da Amazônia tiradas em 1867 e 1868. Albert Frisch nasceu em Augsburgo, na Baviera.

AUGUSTO MALTA (Mata Grande, 14 de maio de1864 — Rio de Janeiro, 30 de junho de 1957)

Augusto César Malta de Campos foi um fotógrafo do Brasil com destacada atuação a partir do início do século XX. Seu trabalho como fotógrafo oficial do então Distrito Federal entre as décadas de 1900 e 1930, nomeado por Pereira Passos, permitiu criar um significativo acervo que documentou as transformações pelas quais passou a região da capital do Brasil no período, a cidade do Rio de janeiro. Em 1886, deixou Alagoas e, em 1887, já no Recife, serviu como cadete sargento no Exército. Nessa época, tornou-se republicano e participou de encontros revolucionários com estudantes. Em fins de 1888, chegou no Rio de Janeiro e seu primeiro emprego foi na Casa Leandro Martins, localizada na rua dos Ourives, atual rua Miguel Couto. Trabalhava como auxiliar de escrita e, no ano seguinte, foi promovido a guarda-livros. Ainda em 1889, participou dos eventos da proclamação da República no Brasil, tendo sido um dos signatários do termo de juramento lido na Câmara do Município Neutro, dando posse ao governo provisório republicano. Na década de 1890, casou-se com uma prima distante, a alagoana Laura Oliveira Campos. O casal teve quatro filhos: Luthgardes (1896-?), Arethusa (1898-1913), Callisthene (1900-1919), Aristocléa (1903-1934), afilhada do prefeito Pereira Passos; e Aristógiton (1904-1954). Todas as filhas do casal morreram de tuberculose. Em 1906, Laura faleceu e Augusto Malta passou a a viver maritalmente com Celina Augusta Verschueren (1884-?),  que trabalhava desde os 15 anos como babá dos filhos de Malta e Laura. Com Celina, teve mais quatro filhos: Dirce (1907-?), Eglé (1909-?), Uriel (1910-1994) e Amaltéa (1912-2007). Em 1900, Malta comercializava tecidos finos no Centro do Rio e usava uma bicicleta para fazer as entregas das encomendas. Um de seus fregueses, um aspirante da Marinha, propôs trocar sua máquina fotográfica pela bicicleta de Malta. A partir desse trato, Augusto Malta começou a se interessar por fotografia. Em 1903, foi apresentado pelo empreiteiro Antônio Alves da Silva Júnior, fornecedor da Prefeitura do Distrito Federal, que já havia visto suas fotografias, ao prefeito, Francisco Pereira Passos (1836-1913), que promovia uma grande reforma urbana na cidade, que ficou conhecida como o “Bota-Abaixo”. Ele precisava de um fotógrafo para registrar as obras e os imóveis a serem desapropriados para posteriores pagamentos de indenizações. Em junho, pelo Decreto Municipal 445, Augusto Malta foi nomeado fotógrafo da Prefeitura do Distrito Federal. O cargo foi criado para ele e era subordinado à Diretoria Geral de Obras e Viação do Distrito Federal. Passou a documentar a radical mudança urbanística promovida por Pereira Passos. Augusto Malta trabalhou na Prefeitura do Distrito Federal até 1936, quando se aposentou. Em 1905, foi contratado pela The Rio de Janeiro Tramway, Light and Power Company Limited – que ficaria popularmente conhecida como Light. Ao longo dos anos, prestando serviços para a empresa, Malta fotografou as atividades modernizadoras da Light no Rio de Janeiro, como a implantação dos bondes elétricos e da iluminação pública. Entre os fatos documentados por sua obra estão a demolição do Morro do Castelo, a Revolta da Vacina, a inauguração da Avenida Central (hoje Rio Branco), a Exposição Nacional de 1908, a Exposição Internacional do Centenário da Independência, em 1922 e a inauguração da estátua do Cristo Redentor. Também registrou imagens da vida cotidiana, a arquitetura, as alterações urbanísticas (como as primeiras favelas), manifestações culturais como festas, o carnaval, as “Batalhas das Flores” e desfiles cívicos e militares.

Em 1945, Malta foi comparado a Marc Ferrez (1843 – 1923) no Boletim da Sociedade de Geographia do Rio de Janeiro:

“A documentação fotográfica e de gravuras era, como se vê, abundante e valiosa, oriunda de desenhos de Rugendas e outros, e de fotografias de Marc Ferrez, que desempenhou no Império a função que mais tarde seria, no Rio, exercida por Augusto Malta, fotógrafo da Prefeitura: de documentador pela imagem dos principais acontecimentos de seu tempo”.

Em 30 de junho, Augusto Malta faleceu, no Hospital da Ordem Terceira da Penitência, devido a uma insuficiência cardíaca. Foi sepultado no dia seguinte, no Cemitério do Caju (Correio da Manhã, 2 de julho de 1957, na seção “Prefeitura”).

A maior parte de suas fotografias encontra-se dividida entre o Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro e o Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. São, ao todo, 80 mil fotos, incluindo 2.600 negativos em vidro e 40 panorâmicas. Já no MIS-RJ a coleção reúne cerca de 27.700 fotografias do então Distrito Federal. O acervo possui registro das transformações urbanas que marcaram o cotidiano da região da capital do Brasil no período, a cidade do Rio de Janeiro. A coleção possui, ainda, 1.700 negativos em vidro e 115 negativos em panorâmica que foram restaurados. O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, o Instituto Moreira Salles, a Biblioteca Nacional e o Museu Histórico Nacional são outros importantes acervos da obra do fotógrafo. Encontra-se colaboração fotográfica da sua autoria no Boletim Fotográfico (1900-1914).

A. ARMEILLA –  (França, ? – Rio de Janeiro, 15 de maio de 1913)

André-Charles Armeilla foi um fotógrafo francês que chegou ao Rio de Janeiro por volta de 1903, onde ganhou a vida vendendo suas fotos da cidade e arredores para revistas, livros e cartões postais. Na última década do século XIX até 1902, havia trabalhado como fotógrafo em Montevidéu. Sobre a sua vida antes de chegar ao continente americano pouco se sabe. Segundo Pedro Corrêa do Lago:

“O Armeilla é o elo entre o Ferrez e o Malta, com qualidades que nenhum dos dois tinha. […] Ele não se contenta em tirar foto do mesmo ângulo que todo mundo tirava, e é um mestre dos volumes. Ele brinca com os morros, a vegetação, as ondas e a espuma do mar, com as nuvens… Tudo isso são formas que ele harmoniza com maestria extraordinária.”

CHARLES FREDERICK HARTT (Fredericton, 23 de agosto de 1840 – Rio de Janeiro, 18 de março de 1878)

Charles Frederick Hartt foi um geólogo canadense-americano. Acompanhou Louis Agassiz, de quem foi aluno, em sua viagem ao Brasil. Durante esta expedição, explorou o litoral brasileiro, entre a Bahia e o Rio de Janeiro, reunindo grande coleção zoológica e tornando-se autoridade em história natural da América do Sul. A partir de 1876 exerceu o cargo de chefe da Seção de Geologia do Museu Nacional do Rio de Janeiro, ao qual doou sua importantíssima coleção geológica.

Durante os anos de 1875 e 1877, Hartt foi coordenador da Comissão Geológica do Império do Brasil, que foi constituída por Imperador D. Pedro II no final de 1874, e tinha como enfoque preliminar o estudo da Geologia, da Paleontologia e das minas brasileiras, além de construir um mapa geológico do Brasil. Hartt teve como assistentes Richard Rathburn; John Casper Branner; Orville Derby e dois engenheiros brasileiros, Francisco José de Freitas e Elias Fausto Pacheco Jordão, este último o primeiro brasileiro a estudar Engenharia Civil na Universidade de Cornell, onde se doutorou em 1874, no mesmo ano do doutoramento de Derby.

Destacamos ainda: Antonio Caetano da Costa Ribeiro, Alberto Sampaio (1870-1931), Germano Wahnschaffe, Cristiano Junior (fotógrafo de origem portuguesa atuante no Rio de Janeiro nos anos de 1860, tornou-se mais tarde um dos maiores fotógrafos paisagistas da Argentina e deixou no país vizinho uma obra importante. No Brasil, ele é conhecido sobre tudo por registrar as diversas atividades dos escravos ou negros libertos nas ruas do Rio de Janeiro. Deixou mais de cem poses.) e Alberto Henschel (fotógrafo alemão atuante no Rio de Janeiro e Nordeste atuou entre os anos de 1860 e 1870 no Brasil).

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