Categoria: carpediem

O Primeiro Zoológico do Brasil

O Rio de Janeiro, no fim do século XIX, já tinha algumas características de metrópole. Mas, diferentemente de outras grandes cidades do mundo, ainda não tinha um jardim zoológico. Lembrando que o primeiro zoológico do mundo foi o de Viena em 1752.

Após uma viagem à França, João Baptista Vianna Drummond, o Barão de Drummond, ficou impressionado com a capital francesa e com o zoológico que lá existia. Então, em janeiro de 1888, ele inaugurou o primeiro jardim zoológico do Brasil, no bairro de Vila Isabel, zona norte da cidade do Rio de Janeiro.

Fachada do antigo Zoo

Por contrato lavrado em 5 de dezembro de 1884 com a Câmara Municipal, o Barão de Drummond fundou também a Companhia do Jardim Zoológio, com capital de 236:000t000. Inaugurado em janeiro de 1888, ocupava o jardim uma área de 230.000 m2, pertencente a Cia. Arquitetônica, entre as Ruas Visconde de Santa Isabel, Costa Pereira e Barão do Bom Retiro.

Os primeiros animais desse zoológico foram macacos e jacarés, espécimes brasileiros, além de leões e elefantes, vindos da África. Recebeu inúmeras doações de animais. O Consul da Rússia, o Comendador Franklin Alves ofereceu um Urso; uma Onça Jaguatirica foi ofertada pelo Sr. Joxkey Alfredo Foon; uma Anhinga, ave aquática, pelo Major Luiz Augusto Coelho de Castro; uma Jiboia pelo Sr. Albibo de Faria; um Lagarto pelo Sr. Luz Ferreira da Mora brito, além das próprias aquisições como uma onça preta (em 1890) e um elefante (em 1889).

Por anos, o Zoológico foi extremamente bem sucedido. Pessoas de todas as regiões da cidade do Rio de Janeiro e até de outros estados, vinham conhecer o local.

O estabelecimento chegou a possuir uma coleção de animais valiosa e por muitos anos gozou de muita prosperidade. Em um Guia do Visitante & Jardim Zoológico de Vila Isabel, publicado em 1894, ao lado do catálogo e descrição dos animais, era apresentado um roteiro de lazer para o visitante:

Cercado de floresta secular, acha-se dividido em sóbrias alamedas e poéticos atalhos que vão ter ao alto de uma montanha, de onde se descortina o esplendoroso panorama da cidade, seus subúrbios e a baía. Dai, descendo-se por suave caminho em zigue-zague, coberta de espessa folhagem, chega-se a uma elegante vivenda construída para restaurante e que tem confortáveis acomodações mobiliadas para habitação de verão e próprias para pessoas convalescentes. Tendo o Jardim uma rua circular de 1.488 metros de extensão, por onde podem transitar diversos veículos, servindo igualmente para corridas e apostas; possui um pitoresco salão campestre adequado às reuniões familiares e piqueniques; grupos de árvores frutíferas e de flores tropicais circundam os imensos cercados, onde se veem representantes da fauna indígena; diversas casas de ferro e de alvenaria acomodam as feras asiáticas e africanas; gaiolas e jaulas provisórias servem de morada aos animais cuja coleção não foi possível prover e, finalmente, grandes lagos destinam-se à criação de aves aquáticas e a piscicultura.

(Relatório do Diretor interino da Diretoria Geral da Polícia Administrativa Arquivo e Estatística , Dr. Aureliano de Sousa Portugal, sobre o Jardim Zoológico de Vila Isabel in Boletim da Intendência abril-junho de 1903, pp.97 a 103)
Bilhete de entrada do Zoológico

Com a Proclamação da República em 1889, o Zoológico que recebia uma ajuda financeira do Império, acabou com a entrada do novo sistema de governo. Sem o apoio do imperador, o barão de Drummond precisou aumentar a renda do estabelecimento e imaginou um meio de aumentar a sua renda. Estabeleceu junto com a municipalidade em 1892 prêmios aos visitantes que recebiam vinte vezes o valor da entrada sempre que lhes tocassem por sorteio os bilhetes em que viesse a estampa do animal de cada dia escolhido para prêmio. Nascia ali o Jogo do Bicho, popular em todo o país e hoje ilegal. Ele começou ainda que de forma inocente, no Zoológico de Vila Isabel.

Ao comprar o ingresso de entrada para o Jardim Zoológico, o visitante passaria a receber um ticket. No bilhete estaria impressa a figura de um animal. Pendurada num poste a cerca de três metros de altura, próxima ao portão de entrada do parque, havia uma caixa de madeira. Dentro desta ficava escondida a gravura de um animal, escolhida pelo barão em uma lista de 25 bichos que ia de avestruz a vaca, passando por borboleta e jacaré. Nesse domingo, às cinco horas da tarde, a caixa seria aberta pela primeira vez, e o público presente poderia, afinal, descobrir o animal encaixotado e saber se teria direito ao prometido prêmio de 20$000, 20 vezes o valor gasto com a entrada para o zoo. Na hora marcada, o barão dirigiu-se até o poste, revelou a avestruz e fez a alegria de 23 sortudos visitantes.

Conta Felipe Magalhães, no seu livro ‘Ganhou, leva, o Jogo do Bicho no Rio de Janeiro’.

Depois da morte do Barão de Drummond, em 1897, o seu sobrinho Carlos Drummond Franklin assumiu a direção do jardim zoológico. Franklin não teve o mesmo sucesso do tio e os negócios passaram a não ir tão bem.

Após uma sequência de crises financeiras e trocas de administrações, o Zoológico de Vila Isabel foi fechado em 1949, quando foi transferido para a Quinta da Boa Vista.

Nos anos 50 ganhou o nome de “Parque Recanto do Trovador” e é uma grande área de lazer para a população local, honrando o seu passado.

Fontes: Pereira Passos: BENCHIMOL, Jaime Larry – Um Hausmann Tropical,1953 e Blog Diário do Rio.com

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